Panelas de Barro
A Original


História da Panela de Barro

A panela de barro é sem dúvida uma das maiores expressões da cultura popular do Espírito Santo. Desde a sua origem – nas tribos indígenas que habitaram o litoral do Estado – até os dias de hoje, a técnica de sua confecção e a estrutura social das artesãs pouco mudou.

Panelas seladas

Selo de autenticidade

O selo de autenticidade é afixado nas panelas de barro fabricadas a mão pelas oaneleiras de goiabeiras

Os frutos do mar estão presentes nos principais ícones da gastronomia típica da cidade de Vitória: A moqueca e a torta capixaba. O preparo destes pratos envolve uma peça muito importante do nosso artesanato, a panela de barro.

O trabalho artesanal das paneleiras sempre garantiu a sobrevivência econômica de suas famílias, como também de suas tradições.

A região de Goiabeiras, ao norte da Ilha de Vitória, sempre foi o local tradicional da produção de panelas de barro. No início, o trabalho era de cunho familiar e as panelas eram feitas nos quintais das casas das paneleiras. Recentemente, com a criação da Associação das Paneleiras e ações da Prefeitura Municipal e outras entidades, foi construído um galpão onde concentrou-se toda a produção.

A panela de barro é suporte indispensável para o preparo da moqueca e da torta capixabas, pratos típicos da culinária capixaba. Os produtos nela preparados têm aspecto e paladar bem mais apetitosos. Ela se integrou de tal forma na culinária capixaba que faz parte de sua tradição.

As Paneleiras

Elas são produzidas por grupos de mulheres - alguns homens também já estão aderindo à essa nova atividade econômica - residentes no bairro de Goiabeiras, em Vitória. Possuem até uma associação, que fica ao lado de um manguezal, de onde são retiradas todas as matérias-primas necessárias para a fabricação das panelas.

Paneleiras

Paneleiras

Apesar de algumas paneleiras terem uma idade avançada, ainda continuam confeccionando panelas de barro.

É graças às paneleiras de Goiabeiras que a panela de barro firmou-se como um dos símbolos da cultura popular capixaba. É uma arte que vem sendo passada de geração para geração. No galpão onde trabalham, mãe, filhas e netos trabalham lado a lado. Claro que para os pequenos restam os trabalhos como recolher o barro e retirar a casca da árvore encontrada nos manguezais.

As panelas de barro se constituem no principal elemento cultural para a elaboração de pratos típicos da culinária capixaba. A moqueca capixaba, a moqueca de garoupa salgada com banana da terra e a torta capixaba têm de ser feitas em panela de barro para serem autênticas. A produção das panelas de barro é constante, e todas as peças produzidas são vendidas aos turistas e à população da grande vitória. As vendas são feitas diretamente no galpão da Associação das Paneleiras, nas lojas de artesanato e nos postos de informações turísticas.

Há mais de 400 anos, a produção dessa panela é passada de mãe para filha, garantindo a sobrevivência das paneleiras e da nossa tradição. As mulheres usam o barro tabatinga para moldar as panelas e uma tintura chamada tanino para dar a coloração escura. Se você quiser comprar uma panela de barro para preparar seus pratos, exija o selo de autenticidade das Paneleiras de Goiabeiras.

Modo de Fazer as Panelas de Barro

A confecção da panela de barro é uma técnica secular que chegou aos nossos dias pela transmissão das tradições familiares, desde a busca de todas as matérias primas que compõem, até a sua utilização. Para fazer as panelas, as artesãs retiram argila do Vale do Mulembá, situado no bairro Joana D’Arc, na Ilha de Vitória. Quando chega ao galpão, o barro passa por um processo de limpeza no qual são retirados os grãos de areia maiores e a matéria orgânica visível para que seja amassado, manualmente, em seguida. É o momento que inicia-se o processo de confecção da panela, através de uma técnica de modelagem aplicada a partir de uma bola de barro. O acabamento da panela é feito com seixos rolados (pedras de rio), casca de coco, facas e estiletes. A peça totalmente modelada é colocada ao ar livre para secar e depois de seca, é alisada com um seixo rolado para retirar os grãos de areia mais grossos. A partir daí, as paneleiras reúnem sua produção e queimam suas panelas. No final da queima, as peças, ainda quentes, recebem um tratamento de superfície com tanino (retirado da casca das árvores do mangue “Rhizophora mangle”) , dando coloração específica as peças.

É aconselhável ao comprador das panelas de barro uma outra queima antes de utilizá-las na cozinha. Para isso, deve-se colocar dentro da panela 2 colheres de óleo de cozinha, de preferência óleo de oliva, levando-a em contato com o fogo. O óleo queimará e, quando a fumaça começar a ficar preta, o fogo deve ser apagado. Tudo isso para que os materiais usados na confecção das panelas não interfiram no sabor da comida.